Minhas considerações sobre a manifestação no Pitágoras

Ontem dia 19 de maio de 2010 houve uma agitação na Faculdade Pitágoras no campi Verde de Divinópolis, as pessoas revoltadas coma conduta da faculdade que irá implementar mudanças, grade curricular, horário em sala de aula, que eu sei oficialmente que irão ocorrer. Organizaram a “manifestação” recebi até e-mail sendo convidado (ou convocado não sei) a participar da coisa. Eu não concordei com o movimento, é algo precipitado, é algo injusto, houve apenas uma reunião onde eu não tive acesso por não ser representante, e que o professor Claudio explicou as mudanças, onde disseram que houve alguns desencontros de informações entre os próprios membros da faculdade, eu ressalto não estava presente, e me foi repassado isso.
Após essa reunião houve um certo burburinho mas nada que incitasse ainda uma manifestação acredito eu, isso até em Belo Horizonte (que foi notícia no cenário nacional) houve um protesto e os mesmos conseguiram as mudanças que almejaram, eu ressalto que não sei o que houve antes, se entregaram algum documento a direção da faculdade, se antes do protesto que resultou em confronto com a polícia houve antes uma tentativa de entendimento. Apos essa manifestação em Belo Horizonte os alunos daqui provavelmente seguiram a seguinte linha de raciocínio: “já que invadir a faculdade e protestar funciona, vamos fazer o mesmo aqui”; não isso não funciona, não se resolve algo indo direto ao protesto gritando esperneando, isso é coisa que criança faz, chorar dar birra espernear sem tentar conversar. Ali ninguém é criança (embora em alguns casos da pra questionar) somos adultos, responsáveis por nossos atos.
Quem organizou, o fez com a melhor das intenções acredito eu (ou quero acreditar nisso), mas não se deu assim.
Eu costumo chegar mais cedo, pra poder dar uma lida tranquila nos e-mails, ler os meus feeds antes de começar a aula, mas quem chegou em cima da hora, foi impedido de entrar por um cordão de isolamento feito por alguns dos alunos pra que ficassem para o protesto (cade o direito a liberdade de escolha?) A maioria ficou, eu estava quieto em sala de aula quando começou. Invadiram a propriedade da faculdade começando com um monte de apitos e gritos ok até aí tudo tranquilo afinal não houve nada demais só uma invasão pacifica. Eu me recordo de terem queimado uma camisa com o símbolo do Pitágoras, quando eu vi o fogo eu já pensei vai dar confusão e vai terminar em policia. Eu fiquei dentro de sala de aula com o professor TENTANDO dar aula mas com todo o barulho era impossível de se haver concentração, a chuva apertou e obrigou os “manifestantes” a se protegerem dela, resultado: entraram  no Bloco E, o bloco que eu estudo, e lá o que eu ouve eram bombas explodindo pessoas gritando, abrirndo as portas das salas convidando (ou convocando não sei” a ir para a “manifestação”, dentro da minha sala entraram desligara as luzes, gritaram na porta acabando com a ultima tentativa de aula possível do professor. Isso foi só o começo após a nossa aula ser forçada a acabar, o professor se retirou e eu e alguns colegas ficamos em sala esperando o tumulto passar afinal sair e se expor ao cenário selvagem lá fora não era uma opção atraente. Fiquei ali aguardando e quando tudo pareceu se acalmar começaram a descarregar os extintores, pó químico, água, co2, tudo jogado no chão portas pra tudo que foi lado na área comum dos blocos. No ultimo piso jogaram de lá ao chão cadeiras, é você leu certo: CADEIRAS.
Agora eu pergunto isso é manifestação? Não isso pra mim é vandalismo, começou talvez com uma manifestação e houve quem levou rojões bombas, logo eu concluo que havia alguma intenção de se chegar a esse ponto por parte das pessoas que levaram tais artefatos. Foi feio pra todos os meus colegas alunos, que me envergonharam com tal atitude, sim eu me senti envergonhado com o que fizeram no prédio da faculdade.
Após essa “manifestação pelos direitos dos estudantes oprimidos por uma empresa capitalista que só pensa no lucro” o diretor (que merece um paragrafo só pra eu falar sobre as atitudes dele quanto ao protesto) foi até os manifestantes e os chamou para uma conversa no auditório da faculdade, onde eu não estive todo o tempo.
Eu só sai da sala após ver pela porta policiais com os funcionários da faculdade fazendo o boletim de ocorrência do dano causado, perguntei onde estava a professora X e me informaram que ela estava no auditório, como a turma que divide a matéria comigo estava POR COMPLETA em sala fui até a professora questionar se ela daria a atividade avaliativa, ela disse que seria melhor não e foi até a turma explicar que ficaria para segunda a atividade. [bato palmas pra turma deles que conseguiram desenvolver a primeira aula fazerem as atividades mesmo com o inferno lá fora].
Agora eu quero ressaltar de quem ficou no comando da faculdade durante a manifestação, do qual eu não sei o nome. Eu gostaria de dar os parabéns por saber conduzir a situação sem gerar violência, contra os alunos. A faculdade não permitiu a entrada da polícia para conter a situação, se caso houvessem entrado dentro do prédio a manchete de hoje seria algo como “POLICIA MILITAR FAZ USO DE FORÇA EXCESSIVA CONTRA ALUNOS OPRIMIDOS E COITADOS DA FACULDADE PITAGORAS CAMPUS DIVINÓPOLIS”, não permitiu a policia ficou de fora, apenas numa possível contenção. Parabéns.
Sim, a reivindicação é justa, algumas mudanças serão ruins, outras boas, se não concordamos a meios para dizermos isso que não seja perante violência, e destruição. E sejamos honestos não houve manifestação ali, houve uma desordem, que pra virar um cenário de guerra (talvez eu tenha exagerado, só um campo de batalha) foi a entrada da polícia.

Eu pergunto quem vai pagar a conta de todo esse prejuízo, nós alunos que fizemos a “manifestação”? A Faculdade (que vocês vão dizer que é a culpada por causa das mudanças)? O justo pra mim é nós alunos pagarmos essa conta, ao menos pra mim.

Eu abro deixo aberto pras pessoas que quiserem comentar e debater. Claro comentários anônimos não irão ao ar.

Lembrando que se eu não deixei claro EU SOU A FAVOR DE MANIFESTAR E LUTAR PELO QUE É JUSTO, só não concordo da forma que fizeram.


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